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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Poemas de Amor



                Amor e Poesia... a perfeita combinação; como arroz e feijão, queijo e goiabada, Tom e Vinicius. Como o sal e a área do mar, parece que nasceram juntas, fadadas a não se desgrudarem por toda a eternidade.
                Doce ilusão! Na poesia contemporânea, há cada vez menos espaço para o amor. Atribui-se hoje ao poema uma função social, uma função de protesto, como se cada verso fosse encarregado de descrever e criticar a pura realidade, tal qual uma notícia de jornal.
                O lirismo é o patinho feio da poética atual, relegado a segundo plano. De acordo com a poesia contemporânea, no mundo de hoje não existe amor.



Poema Martelado

                Uns anos atrás decidi participar de uma Oficina de criação poética. Logo no começo, ao perceber que não teríamos nada falando de Métrica, Ritmo e Rima, já imaginei a enrascada em que tinha me enfiado. Ainda assim, insisti, de peito aberto para aprender. Em um certo momento do curso, nosso professor decidiu falar sobre a temática da poesia. E nem se eu fosse um criador de ostras veria tantas pérolas!
                Nosso querido mestre nos disse que não gostava de poesias de amor, porque era “tudo igual”, “mais do mesmo”. O digníssimo perito ainda disse que preferia poemas que tivessem Martelo como tema, ao invés de Amor.


A poesia como fonte histórica

                Nem preciso dizer, meus caros amigos, do tamanho do meu arrependimento de fazer parte daquela oficina poética, que poderia muito bem se chamar carnificina do lirismo. Permitam-me algumas considerações sobre o Amor.
                Primeiro, que é um sentimento universal, atemporal, que jamais ficará ultrapassado. Em qualquer época, seja de riqueza ou de miséria, de guerra ou de paz, de chuva ou de sol, haverá amor. As pessoas amam, simples assim.
                Segundo, que se atribui à poesia uma função social de descrever, situar o período histórico em que foram escritas. Pois, neste sentido, podemos concluir que o amor desapareceu na metade do século XX, quando os poemas de amor passaram a se tornar raros. Talvez Vinicius de Moraes, quando morreu, pediu para ser enterrado com sua garrafa de uísque favorita e todo o amor que restou no mundo.
                Drummond documentou, em A Rosa do Povo, todo o drama da sociedade brasileira durante a Segunda Guerra Mundial, assim como Chico Buarque, em suas canções dos Anos de Chumbo, enfrentava a Ditadura Militar e Camões, lá no Classicismo, fez uso de seus decassílabos heroicos para narrar as grandes navegações portuguesas. Eventos históricos tendem a ser intensos, mas com períodos de tempo delimitados, por isso a importância das obras poéticas refletindo a sociedade de cada um destes períodos. Mas eu pergunto a vocês, meus amigos: durante todo este período, o Amor foi um evento histórico? Ocorreu em um período delimitado de tempo? Muito pelo contrário! O amor nasceu com o homem e com ele vive até hoje. Deste modo, o poeta contemporâneo que não fala de amor, praticamente renega que a sociedade atual tenha este sentimento. Daqui duzentos anos, quando um pesquisador ler a poesia feita no início do século XXI, vai concluir achar somos uma sociedade que não ama, preocupada apenas em poesia para falar da própria poesia. Será a geração menos sentimental e mais egocêntrica que as Letras já viram.


Amor no Modernismo

                Para os amantes do modernismo, que acham o poema sobre o Martelo mais interessante que o poema de amor, permitam-me revisitar os vossos heróis. Vocês acham que Paulo Leminski não falava de amor?

“Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.”
 (Leminski, 1983). Fonte: www.avozdapoesia.com.br

                Ou então Ferreira Gullar?

“pelo amor e o que ele nega
pelo que dá e que cega
pelo que virá enfim,
não digo que a vida é bela
tampouco me nego a ela:
- digo sim”
(Gullar, 1980). Fonte: www.avozdapoesia.com.br


Conclusão

                Falta amor na poesia contemporânea. Falta martelo na cabeça do “professor” de poesia contemporânea. Poema de amor nunca vai ser “mais do mesmo”. Bendito seja o movimento modernista que diversificou a temática. Não é que eu não vá gostar de um ótimo poema escrito sobre o martelo, pelo contrário, adorarei. Mas nenhum poema desses, nenhuma sensação superará o suspiro dado quando leio um belo poema de amor. Deixo um verso de amor de minha autoria para vocês:

“Se eu sinto o que tu sentes,
E tu sentes o que eu sinto,
Se prometes que não mentes
E eu prometo que não minto,
O que pode finalmente
Nos faltar ao coração?
Eu conheço teus segredos,
Eu cultivo os mesmos medos,
Porque então ter tantos dedos
Em viver esta paixão?”

                E aí, caros leitores? O que acharam? Gostam de poemas de amor? Postem nos comentários seus poemas de amor favoritos.


Um abraço!


14 comentários:

  1. Olá Leandro, tudo bem?

    Infelizmente poesia ultimamente se resume apenas a amor. Eu gosto mais de quando elas eram escritas durante o segundo período do romantismo, bem mórbidas e doidas, rs.

    Beijos

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    1. Oi Pamela, obrigado pela participação! Puxa, eu discordo de você, eu acho que falta amor na poesia de hoje, sabe? Mas eu concordo que os poemas da segunda fase do romantismo eram demais, e fazem falta hoje em dia essa temática negativa, a morte, etc. Quem sabe o byronismo não reaparece por esses tempos?

      Bjs!

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  2. Oi Leandro!
    Lindo seu verso ♥
    Não entendo nada de poesia, ou sua evolução ao longo do tempo, mas concordo com você que o amor é um sentimento atemporal, é triste perceber que retratar bons sentimentos esteja "fora de moda", ou ainda, que o amor esteja tão pouco presente na vida das pessoas, que elas nem tenham necessidade de externá-lo.
    Beijos... Elis Culceag.​
    * Arquivo Passional *

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    1. Oi Elis! Obrigado pela participação! Mas não precisa entender de poesia, basta ter a sensibilidade de ler e sentir as palavras =)
      Obrigado pelo elogio, fico feliz que goste do meu poema. E sim, o amor é atemporal, a poesia é um dos meios que mais se identifica com o lirismo amoroso, jamais pode deixar de abordar este tema, não é mesmo?

      Beijos!

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  3. Olá, tudo bem?
    Adorei os poemas, tão consistentes e alguns rimam também!
    É sempre muito bom falar de amor e parabéns pela ótima escrita!
    beijinhos

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    1. Oi Camila, obrigado pela participação!
      Eu sou suspeito né? Amo poemas com rimas, é o meu estilo de escrever e também o tipo de poesia que gosto de ler.
      Obrigado pelos elogios!

      Beijos!

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  4. Olá,
    Adorei a postagem e a discussão acerca dos temas que estão sendo abordados através da poesia.
    Confesso que não sou grande leitora do gênero por muitas vezes não conseguir me entregar por completo aos sentimentos que são transmitidos por tais palavras, mas com certeza poemas de amor são os que mais li e que mais me interessam.
    Achei lindo o poema de sua autoria ao final da postagem! :)

    https://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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    1. Oi Michele, obrigado pela participação! Fico feliz que tenha gostado do poema. Assim como você, eu também sempre tive minha atenção atraída pelos poemas mais líricos, apesar de ler todo tipo de poema!
      Abraços!

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  5. Adoro ler poemas, mas se você pedir pra eu falar sobre ele, com certeza não vou saber. Nas aulas de literatura sempre via por um ângulo, e a professora falava de outro, então desisti de tentar dissecar um poema e entender o que o autor fala. rsrs
    Não tenho nenhum favorito, parei para pensar nisso. :(
    beijos
    www.apenasumvicio.com

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    1. Oi Dessa! Obrigado pela participação!
      Isso que você falou, a gente chama de isotopias, ou seja, um único poema pode ser lido de vários jeitos e ter várias interpretações diferentes. Então, isso que acontece com você é normal, nem sempre a gente percebe todos os sentidos do poema, mas não desista! O importante é ler e entender da forma que ele consegue tocar o seu coração.
      Beijos!

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  6. Olá, Leandro.
    Eu imagino a sua indignação com o professor falando essas bobagens todas.
    Pelo visto você gosta de escanção, né? Eu, por outro lado, é a parte em que menos tenho prazer, porque é muito teórica e um monte de nomes para aprender, prefiro a parte subjetiva da poesia mesmo.
    Abraços

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    1. Oi Maria! Muito obrigado por participar!
      Eu confesso que adoro escansão sim, gosto muito de toda a parte teórica do poema. Como poeta, acho que é obrigatório saber um mínimo de técnicas para saber o que usar no poema...rs, mas a parte subjetiva, no final, é a que importa. As técnicas ajudam a guiar a leitura e a musicalidade do texto, mas o principal é a ideia ali contida.
      Abraços!

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  7. Oi leandro, tudo bem?
    Adorei seu texto!!! Eu sou mega romãntica, então, para mim foi um horror descobrir que falta amor nos versos. Mas não foi nada surpreendente constatar a realidade que já conhecia: em nossa sociedade falta amor sim. Nossa sociedade é egoísta sim. Infelizmente, não é de hoje que observo a mudança de valores nas famílias, a forma como os filhos são criados em nossos tempos. Parabéns pelo seu poema.
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Oi Cila, obrigado pela participação!
      Obrigado também pelo elogio do poema, adoro quando as pessoas gostam.
      Enfim, o que você disse é bem verdade...a poesia acaba sendo reflexo de uma sociedade com menos amor e mudanças de valores. Mas o amor não acabou na sociedade, não é mesmo? Ele ainda existe. Já na poesia...infelizmente está rareando.
      Beijos!

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